sexta-feira, 29 de junho de 2012
Noites
É a noite que tudo faz sentido - disse Charlie Brown em uma adorável tirinha no Minduim
É a noite que você engole o que passou o dia tentando digerir
É a noite que a memória remonta por completo os flashes do passado
Lembrados vagamente durante a correria
É a noite que os sorrisos sinceros da sua menina multiplicam-se em sua mente
É durante a noite que tudo se intensifica
Frio, dor, carência
E aí o desespero grita muito mais alto
O coração pulsa mais forte
Os olhos choram mais
A noite acolhe quem amou
Quem ainda quer ser feliz
Ela convida a sonhar mais
Dormir em paz
A noite sempre volta
E não acaba jamais
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Quem me estimula:
- Hariany Campelo
- Manacapuru, Amazonas, Brazil
- Me chamo Hariany, tenho 18 anos, estudo Direito. Sou amazonense, louca por açaí e apaixonada por essa terra. Amo poetar e musicar. Através dos animais, da natureza e das pessoas sinto-me mais próxima de Deus. Apesar desta breve e rasa descrição, convido você para mergulhar no meu rio de abstrações e deixar que os sentimentos fluam como as águas. Parafraseando Dom Quixote, ser poeta é contar ou cantar coisas, não como foram, mas como deveriam ter sido... É apoderar-se irada ou carinhosamente de palavras que têm o poder de ecoar no universo, e este eco é a maravilhosa sensação de estar vivo. A Vida é o que nos impulsiona, e dela nossos pulmões estão cheios, portanto: RESPIRE E INSPIRE-SE. POETE-SE!

1 comentários:
Do seu texto me lembrei de um lindo Poema de Cesare Pavese: A Noite
Mas a noite ventosa, a noite límpida
que a lembrança somente aflorava, está longe,
é uma lembrança. Perdura uma calma de espanto,
feita também ela de folhas e de nada. Desse tempo
mais distante que as recordações apenas resta
um vago recordar.
As vezes volta à luz do dia,
na imóvel luz dos dias de Verão,
aquele espanto remoto.
Pela janela vazia
o menino olhava a noite nas colinas
frescas e negras, e espantava-se de as ver assim tão juntas:
vaga e límpida imobilidade. Entre a folhagem
que sussurrava na escuridão, apareciam as colinas
onde todas as coisas do dia, as ladeiras
e as árvores e os vinhedos, eram nítidas e mortas
e a vida era outra, de vento, de céu,
e de folhas e de coisa nenhuma.
Às vezes regressa
na imóvel calma do dia a recordação
daquele viver absorto, na luz assombrada.
Cesare Pavese, in 'Trabalhar Cansa'
Tradução de Carlos Leite.
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